'Sentinelas - marcação e seguimento de grifos Gyps fulvus como ferramenta de combate ao uso ilegal de venenos em Portugal' é um projeto da Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e da Transição Energética. É desenvolvido em território da Rede Natura 2000 e tem como parceiro a Universidade de Oviedo, em Espanha.

Projeto Sentinelas

O projeto Sentinelas tem como principal objetivo criar uma rede de sentinelas através da marcação, com dispositivos GPS e anilhas, de exemplares de grifo que possibilite obter informação sobre o uso ilegal de venenos no norte de Portugal, o qual representa um sério problema para a conservação da biodiversidade, dos ecossistemas e para a saúde pública. Este sistema permitirá obter dados sobre mortalidade por envenenamento da fauna silvestre e sobre a distribuição espácio- temporal do risco/exposição aos venenos para espécies necrófagas.

De forma complementar, o projeto contribuirá para avaliar outras ameaças para as aves necrófagas, como mortalidade em linhas elétricas ou parques eólicos, e também obter informação sobre a disponibilidade de alimento no campo para estas espécies, sobretudo cadáveres procedentes das atividades pecuárias extensivas, os quais são fundamentais para a manutenção e conservação das suas populações. Além disto, poderá ser obtida informação adicional sobre potenciais conflitos entre algumas atividades humanas tradicionais, como a caça ou a pecuária, e predadores nas zonas de implementação do projeto.
Projeto Sentinelas

Grifo. Ilustração Davina Falcão.

Toda a informação gerada por esta rede será uma mais valia para sinalizar/detetar ameaças e contribuirá para ajudar a desenvolver estratégias para melhorar o estado de conservação do património natural e da biodiversidade em Portugal, em particular das aves necrófagas e também das populações de outras espécies ameaçadas e com estatuto de conservação desfavorável, como é o caso do lobo Canis lupus e do lince-ibérico Lynx pardinus, ou catalogadas como “Regionalmente Extinto” em Portugal, como o urso-pardo Ursus arctos.

Tendo em conta que o uso de venenos está intrinsecamente associado a uma forte componente social, o projeto contará também com uma abordagem de educação e sensibilização ambiental das comunidades locais nos concelhos da sua área de implementação, através do desenvolvimento de sessões dirigidas ao público escolar e geral e a setores e grupos de interesse específicos, com o objetivo de os sensibilizar para o perigo do uso de venenos, quer para a saúde pública, quer para os animais domésticos, fauna silvestre e ecossistemas, e para a importância ecológica das aves necrófagas. 

Grifo. Ilustração Davina Falcão.


Por que a criação de uma rede de espécies-sentinelas é fundamental?

Por que a criação de uma rede
de espécies-sentinelas
é fundamental?